Suzuki tem 25 anos de carreira,
muitos projetos executados e, que eu saiba, nada organizado a
respeito de sua vida profissional (Eis aí uma coisa que gostaria de
fazer).
É pela falta dessa “organização” que citei
acima, que apresentarei imagens de dois projetos residenciais
executados há bastante tempo, quando Suzuki ainda fazia parte
do Brasil Arquitetura
e uma casa que não consta Suzuki como co-autor, mas
define, muito bem, quais os conceitos buscados pelo Brasil
Arquitetura naquele período e que até hoje permeia a obra de
Fanucci e Ferraz, como de Suzuki, mas cada qual com suas
características . No entanto, para não deixar de apresentar uma
obra atual,vou apresentar o que saiu das mãos de Suzuki há
pouco tempo (em 2003-2004): uma obra de arte que teve direito a
vários prêmios, merecidíssimos, diga-se de
passagem.
Mas, antes, um pouco de história:
Para começar, Suzuki nasceu em Barretos. O arquiteto Marcelo
Suzuki estudou na FAU durante o período da ditadura militar, em uma
época que, segundo ele, projetar era crime. Por ser considerado um
aluno que desenhava muito bem, foi convidado a estagiar com a
arquiteta Lina Bo
Bardi. Desse estágio rendeu uma
parceria, que se iniciou em 1979 até a morte da arquiteta, em
1992.
Além da parceria com Lina, em 1981,
após graduar-se, fundou, juntamente com os arquitetos Francisco
Fanucci e Marcelo Ferraz (colegas de escola que também haviam sido
estagiários de Lina), o escritório Brasil Arquitetura. A equipe
fundou, ainda, a Marcenaria
Baraúna, dando início à produção e
criação de mobiliário e objetos de madeira. Em 1996, após 15 anos
de sociedade, Suzuki decidiu abrir escritório próprio, denominado
Marcelo Suzuki Arquitetura e Urbanismo.
A parceria com Lina rendeu todo um
ensinamento que o arquiteto tenta imprimir até hoje em sua
arquitetura, que é traduzir a maneira de viver das pessoas que
circundam aquele ambiente; de ser moderno (ou seria contemporâneo?)
em seus projetos sem negligenciar os fortes elementos regionais ou
tradições; mas também não ficar preso aos tradicionalismos ou
regionalismos.
Mas as referências de Suzuki não se limita à Lina. Conceitos de
outros arquitetos, tais como Vilanova Artigas, Lê Corbusier, Mies
Van der Rohe, Luis Barragan e leituras cuidadosas dos grandes
mestres da arquitetura moderna do nosso país, tais como Lúcio
Costa, Niemeyer, Reidy, entre outros, permeiam suas obras sempre
impregnadas como uma atmosfera bem brasileira.
Veja algumas obras selecionadas e
confira o que foi dito acima:
Nessa residência, percebemos a
preocupação com a inserção do edifício no terreno com cuidado para
minimizar os impactos de movimentação de terra. O uso de materiais
característicos da região também se torna forte com a presença de
um muro de pedras baixos. O uso de pedra mineira no piso é marca
registrada do Brasil Arquitetura nesse momento. Vemos o mesmo
acabamento não só em residências como, também, por exemplo, no
Teatro Polytheama, em Jundiaí.
A preocupação com a luz natural e com a integração entre interior e
exterior é constante e reforçada pelos painéis de vidro e pelas
áreas verdes. Falando em área verde, ela se apresenta através de um
pátio interno, em partes nos tetos dos blocos (como visto na foto
aérea) e na área que circunda a residência e foi
preservada




Um projeto de linhas retas, que
atende ao programa imposto e através das cores dos blocos, delimita
bloco social (branco), bloco íntimo (verde... ou azul claro) e
bloco de serviços (azul escuro). Como no projeto anterior e no
próximo projeto, a vegetação sempre aparece em
abundância.


Não consta Suzuki como co-autor
desse projeto (como dito acima), mas essa obra exemplica tão bem o
que acredito ser a obra de Suzuki, que não pude deixar de
colocá-la. Nela, há uma perfeita referência das obras de Barragan,
com suas cores chamativas e a pureza dos blocos. Há, também,
referência a materiais muito usados na época colonial, mas que
foram deixados de lado com o advento de novas
tecnologias.


O muxarabi, presente nessa
residência, apresentado na primeira e na terceira foto abaixo, é um
elemento típico da arquitetura colonial brasileira. Feito de
madeira, serve para barrar o sol sem, contudo, evitar a ventilação
e a entrada de iluminação natural. A primeira imagem, ainda, deixa
transparecer a integração entre as artes com arquitetura,
paisagismo e escultura. Que bela
composição.


Com uma apresentação mais digna de se ler
aqui ou
aqui , o Complexo Forense de
Cuibá preserva a intenção de unir conceitos contemporâneos a
técnicas tradicionais tão bem aceitas no clima brasileiro. O que
mais admira, no entanto, a mim, foi a maneira como esse complexo de
grandes proporções teve seu programa distribuido, pensando-se no
acesso dos funcionários, dos presidiários e das pessoas que por
algum motivo ou outro precisam ocupar aquele
espaço.




Por fim, percebam que os projetos residenciais, mesmo sendo
anteriores a 1996, época em que pouco ou nada se discutiam sobre
sustentabilidade, agregam perfeitamente questões que hoje viraram
moda. Só que na verdade, a meu ver, uma boa arquitetura contempla
questões essenciais como boa iluminação natural, boa ventilação
natural, implantação adequada do edifício no terreno em virtude da
posição solar. E isso sempre foi feito por bons arquitetos. Os
exemplos de boa arquitetura e arquitetura que se encaixa
perfeitamente em quesitos sustentáveis não se limitam a esse século
ou ao anterior. É questão de conceito arquitetônico bem empregado.
E isso deve ser cobrado quando se contrata um arquiteto e é por
isso que é importante contratar um profissional específico para tal
fim.
O que apareceu de novidade nos conceitos sustentáveis, e isso é
louvável, são as certificações, a conscientização, novos materiais
e novos produtos que incentivam a minimização de gastos de água,
energia elétrica, materiais. E nada melhor do que
“diminuir” o consumo e se conscientizar para colaborar
com a natureza, não?